Me peguei pensando… Por que eu falaria dos meus furacões? Depois de algum tempo, respondi a mim mesma: – de que valeria tanto aprendizado de vida se não pudesse dividir isso com outras pessoas?! Portanto, pode se sentar, temos uma jornada de aprendizado juntas, espero que você goste e que minhas experiências possam ajudá-la a encontrar sua saída, a saída do olho do furacão.
Na trama e urdidura da colcha da minha vida houveram momentos de calmaria, momentos dentro do olho do furacão e momentos de sair dele. Costumo dizer que depois de já ter vivido um pouco mais de meio século me dei alguns direitos: 1) Foi de falar sobre minha história de vida de forma construtiva mesmo que da perspectiva da parte interna do olho do furacão; 2) Poder ajudar as pessoas exatamente do lugar onde muitas delas podem estar e, por incrível que pareça, foi do meio dele que grande parte da minha vida foi construída e
ressignificada.
Meu nome veio de uma promessa, uma promessa estranha mas, para minha mãe uma
promessa. Como uma criança poderia ficar 12 meses dentro da barriga da sua mãe? Era isso que ela queria. Medo do desconhecido, medo do novo, insegurança, imaturidade, era isso que a cercava 52 anos atrás, naquela época talvez o impossível para ela fosse aceitar que cheguei antes do programado. Chegar antes do programado naquela época era um desafio gigante diante da sociedade. Por mais que ela quisesse era impossível não
rejeitar aquele momento, porém rejeitá-lo ecoou de mim.
Quente, macio, confortável, seguro, com certeza este era o melhor lugar para eu ficar. Acredito que este possa ter sido o primeiro furacão de muitas pessoas! Pois bem, eu estava dentro do furacão da vida da minha mãe e do meu primeiro furacão. Interior de São Paulo, um quarto pequeno, uma parteira, muito óleo, toalhas e água quente, 48horas em trabalho de parto, isso, eu não queria sair de lá ou ela inconscientemente não queria que eu saísse (rsrsrs). Era impossível, não há como ir contra a natureza. Mas aquela promessa para eu ficar mais 3 meses lá dentro já ecoava em mim de forma negativa. Porém o mais importante é o que eu fiz com tudo isso…
Lutei muito dentro da minha mãe, eu queria ficar lá, lutei com tudo que foi passado para mim e que necessitou ressignificação. Depois lutei para não sair, e então lutei para sair. Maturidade, serenidade, compreensão, perdão foram os principais atributos a serem adquiridos na minha vida depois dessa saída.
Confesso que serenidade foi o mais desafiador e foi ela a que mais precisei.
Tive que esperar a vida adulta e todos os outros furacões para poder entender tudo que havia acontecido e ressignificar. Mas partindo da primeira saída do meu furacão, tudo o que prevaleceu foi a serenidade e o perdão. Sim, foi libertador para ambas as partes, talvez a grande lição tirada desse momento, tenha sido o aprendizado de olhar a outra parte do ponto de vista dela.
Para Você:
Muitas vezes em nossas vidas nos encontramos sem saída, acuados e quando estamos no meio do olho do furacão, em meio a tempestade, tudo fica turvo, embaçado e distorcido. Talvez aqui fique a primeira dica de toda uma vida para você, pratique a empatia, pratique o perdão, se coloque no lugar do outro por mais difícil que parece ser, afinal isso pode ser libertador para ambas as partes.







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